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23 de outubro de 2026 15:40
COP17 da Biodiversidade ocorre em Yerevan, na Armênia, de 19 a 30 de outubro, enquanto a COP31 do Clima será realizada em Antalya, na Turquia, de 9 a 20 de novembro
Em outubro e novembro, duas conferências internacionais das Nações Unidas vão reunir representantes de governos, cientistas, organizações da sociedade civil, empresas e outras instituições para discutir alguns dos principais desafios ambientais do planeta. A COP17 da Biodiversidade ocorre de 19 a 30 de outubro, em Yerevan, na Armênia, enquanto a COP31 do Clima, será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antalya, na Turquia.
A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, credenciada como observadora nas COPs do Clima e da Biodiversidade há cerca de 20 anos, estará presente nas conferências, compartilhando experiências e aprendizados e buscando fortalecer conexões entre as agendas de clima e biodiversidade.
As COPs, abreviação de Conferência das Partes, estão vinculadas a convenções internacionais que estabelecem compromissos para enfrentar a perda da biodiversidade, as mudanças climáticas e os riscos de desertificação. Com objetivos e processos de negociação próprios, as conferências promovem a cooperação internacional para avaliar compromissos assumidos e enfrentar problemas que ultrapassam as fronteiras nacionais.
As COPs são reuniões periódicas dos países que fazem parte de uma convenção internacional. Nesses encontros, as delegações oficiais nacionais discutem prioridades e buscam consenso para firmar grandes acordos. De tempos em tempos também ocorrem as avaliações sobre os acordos estabelecidos anteriormente.
A programação das COPs também inclui encontros técnicos, apresentações científicas, debates e outros eventos organizados por instituições internacionais, empresas, universidades e organizações da sociedade civil. Esses espaços permitem a conexão dos temas ambientais com agendas relevantes para o desenvolvimento socioeconômico dos países.
A COP17 da Biodiversidade está vinculada à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que tem entre seus objetivos a conservação da biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes, a repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos, entre outros.
Um dos destaques da edição deste ano será a realização do primeiro balanço global da implementação do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, aprovado em 2022. O acordo estabeleceu 23 metas para serem cumpridas até 2030, entre elas conservar pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta e restaurar ecossistemas degradados. A avaliação permitirá identificar os avanços alcançados pelos países até aqui, além de identificar as lacunas existentes.
Na COP17, a Fundação Grupo Boticário participa de painéis sobre temas como gestão de unidades de conservação, manejo integrado do fogo, bioeconomia, conservação de recifes de corais, resiliência costeira e financiamento de iniciativas locais.

A COP31 é a 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Esse processo deu origem ao Acordo de Paris, firmado em 2015 por 196 países, que tem como objetivo a diminuição das emissões de gases do efeito estufa para conter o agravamento do aquecimento global. As COPs do Clima também direcionam esforços dos países para adaptar sociedades e economias aos impactos climáticos e ampliar o financiamento necessário para essas medidas.
Em Antalya, a implementação dos compromissos já assumidos deverá ocupar espaço central. Entre os temas previstos na agenda estão a transição para energias limpas, as cidades resilientes, a redução de resíduos, a segurança alimentar, a industrialização de baixo carbono e o fortalecimento da ação climática.
Esta edição da conferência terá uma divisão particular de responsabilidades: a Turquia será o país anfitrião e exercerá a presidência da COP31, enquanto a Austrália conduzirá as negociações. A expectativa é fortalecer a cooperação internacional e aproximar os compromissos climáticos das ações necessárias para colocá-los em prática.
O oceano também deve ganhar mais visibilidade na COP31, com discussões sobre a resiliência dos ecossistemas marinhos e costeiros, o carbono azul, armazenado em manguezais, marismas e restingas, e o compartilhamento de dados científicos. A integração entre ciência, cooperação internacional, financiamento e iniciativas locais é essencial para ampliar a contribuição da conservação marinha para enfrentar as mudanças climáticas e a conservação da biodiversidade.
A Fundação Grupo Boticário levará para a Turquia experiências em temas como estratégias de adaptação às mudanças climáticas baseadas em ecossistemas, Soluções Baseadas na Natureza (SBN) para regiões costeiro-marinhas, financiamento climático, entre outros assuntos.
Embora tenham agendas próprias, as duas conferências tratam de desafios interligados. A degradação de florestas, campos, manguezais, restingas e outros ecossistemas compromete a biodiversidade e reduz a capacidade da natureza de armazenar carbono. A perda de ecossistemas também também compromete o ciclo da água e coloca em risco territórios diante de eventos extremos. Ao mesmo tempo, o aumento das temperaturas, as mudanças no regime de chuvas e a elevação do nível do mar ameaçam espécies, habitats e serviços ecossistêmicos essenciais à sociedade.
Nesse contexto, as SBN, como a restauração da vegetação nativa, a recuperação de áreas úmidas e a conservação de ecossistemas costeiros, como manguezais, restingas e recifes de coral, podem contribuir tanto para a conservação da biodiversidade quanto para a mitigação das mudanças climáticas e a adaptação aos seus impactos.
Para países megadiversos como o Brasil, o avanço dessas agendas tem implicações diretas. A conservação dos ecossistemas, a segurança hídrica, a resiliência das cidades e a proteção das populações mais vulneráveis dependem de ações capazes de conectar as agendas ambiental, climática, econômica e social.
O resultado das conferências será medido não apenas pelas decisões negociadas, mas também pela capacidade de transformar esses acordos em políticas públicas e soluções efetivas.